Em entrevista à agência Reuters esta semana, Ricardo Espírito Santo Salgado, presidente do principal acionista individual da Portugal Telecom, o Banco Espírito Santo (BES), comentou o possível interesse da operadora portuguesa na Oi e foi além, afirmando que haveria outros ativos interessantes para aquisição no Brasil. Segundo rumores de mercado, "possibilidade" para a Portugal Telecom no Brasil, caso a empresa de fato venda sua participação na Vivo, passaria por um acerto com a Telecom Italia, controladora da TIM. Esse complexo xadrez já entrou no radar do governo brasileiro e está sendo analisado em conjunto com a possível entrada dos portugueses no capital da Oi.
Vale lembrar que a Telefônica é, além de acionista da Vivo, sócia minoritária da Telecom Italia por meio da holding Telco. A Telecom Italia, por sua vez, controla integralmente a TIM no Brasil e a operadora móvel Personal na Argentina, além de deter participações importantes na Nucleo do Paraguai (celular), Telecom Argentina (fixa) e na ETECSA de Cuba (fixa e móvel). Analistas lembram que a Telecom Italia precisa, de um lado, lidar com seu grave problema de endividamento na Europa e, por outro, tem na América Latina, sobretudo no Brasil, a sua melhor oportunidade de crescimento. No entanto, a presença da Telefônica no grupo controlador da tele italiana e o interesse dos espanhóis em viabilizar a saída da Portugal Telecom da Vivo poderiam abrir as portas para que a Portugal Telecom encontrasse na TIM e nas demais empresas em que a Telecom Italia participa a presença estratégica que alega perder se vender a Vivo. De quebra, a Telefônica não teria mais a dor de cabeça de enfrentar a pressão do governo argentino para se desfazer de uma de suas operações no país, em função da propriedade cruzada que tem via Telecom Italia.
Dentro do governo brasileiro, essa operação combinada com a Telecom Italia é vista como possível e complementar a uma entrada da Portugal Telecom na Oi. A PT adquiriria os ativos italianos na região, promoveria a fusão da TIM com a Oi no Brasil e negociaria uma participação minoritária na operadora brasileira, que teria em troca uma presença minoritária na própria Portugal Telecom. São apenas especulações que fazem parte do xadrez colocado na mesa.
Soma-se a isso um outro indicador nesse sentido: o fato de que o grupo Ongoing (acionista importante da Portugal Telecom e muito ligado ao BES) ter como presidente e CEO para o Brasil o executivo Carmelo Furci, até recentemente presidente da Telecom Italia Latin America.
Ajuda
Nesta terça, 27, o jornal Folha de S. Paulo afirma que o presidente Lula estaria intermediando uma entrada da Portugal Telecom na Oi. O Palácio do Planalto, procurado pela agência Lusa, disse que o governo não intermediará nenhuam transação privada. Mas, segundo apurou este noticiário, o governo entendeu o recado da Oi quando seus acionistas se reuniram com o presidente Lula, no começo de junho: a empresa, que está com capacidade de investimentos extremamente limitada, esperava ter tido uma participação maior no Plano Nacional de Banda Larga. Esse tipo de parceria com o governo, assim como a construção de um satélite nacional, seriam formas de ajudar financeiramente a operadora nacional, segundo interlocutores governamentais. Desde que recebeu esse recado, o governo tem estado atento às possibilidades de investimento na operadora brasileira e dando o apoio possível à aproximação da Portugal Telecom e analisa todas as possibilidades.
Estas e outras hipóteses abertas com o lance da Telefônica sobre a Vivo estão sendo analisadas em reportagem da revista TELETIME de julho, já em circulação.
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